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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Dos servidores demitidos pelo prefeito de Ilhéus, 47% serviam à Educação


 

A demissão de centenas de servidores municipais de Ilhéus, com mais de 34 anos de serviço público, feita por decreto pelo prefeito Mário Alexandre (Marão), não apenas relegou os trabalhadores à miséria, mas prejudicou seriamente a área da Educação. Do total de servidores demitidos - admitidos entre 1983 e 1988 -, 47 por cento são servidores que dedicaram a vida à Educação na cidade e no interior do município, sendo 100 professores e 25 profissionais da área.

Embora tenha escolhido demitir trabalhadores com contratos legítimos de trabalho, o prefeito Marão manteve centenas de contratos temporários na secretaria de Educação, o que revela o descaso em relação aos servidores demitidos. Nesse sentido, o presidente da APPI\APLB, Osman Nogueira, disse que acredita que o ano letivo na Rede Municipal de Ensino não será iniciado no total das escolas, como deveria ocorrer.

Na tentativa de preencher essa lacuna, o governo municipal realiza, às pressas, uma seleção para novos contratos temporários para o setor de Educação, quando poderia ter convocado os aprovados no último concurso público realizado em 2016. “Vale dizer, que as pessoas a serem contratadas na seleção serão utilizadas na reserva de carga horária. Vai ter dificuldade no ano letivo e nós estamos muito atentos a tudo isso que está acontecendo”, alertou o presidente do sindicato.

Na opinião de Osman Nogueira, a decisão do prefeito de demitir os professores e os demais servidores foi uma atitude de perseguição. “Claro que foi perseguição, principalmente porque grande parte dos professores fez adesão ao PDV (Programa de Desligamento Voluntário), proposto pelo próprio prefeito. Então, isso é perseguição aos trabalhadores e suas famílias. E precisamos rever na Justiça todas essas atitudes do prefeito Mário Alexandre, com essas demissões injustas e desnecessárias”, enfatizou o presidente da APPI\APLB.

Nogueira vê diversas contradições na gestão do prefeito Marão. Ele questiona, por exemplo, como e porque o prefeito demite trabalhadores que entraram legalmente no serviço público e decide fazer contratações temporárias, sendo que os 336 contratos de seleção que atualmente existem na secretaria de Educação, ele ainda não demitiu. “Estamos, inclusive, fazendo essa indagação ao secretário de Administração, Bento Lima”, adianta.

“Demite 100 professores contratados de forma legal, com 33 anos de serviço, e cria uma reserva temporária. Estamos muito preocupados com isso, o que já demonstra um desgoverno. Com essas contradições, o prefeito demonstra despreparo perante a gestão. Um governo que realmente resvala para o colapso. E o pior, o prefeito faltou com a verdade com os sindicalistas”, acrescenta o representante dos professores.