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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

CNTE - Moção de solidariedade à professora agredida por aluno

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE, entidade representativa dos profissionais da educação básica brasileira, torna pública a sua mais irrestrita solidariedade à professora Marcia Friggi, brutalmente agredida no último dia 21, na cidade de Indaial, em Santa Catarina.

Se não bastasse a agressão física e verbal perpetrada contra essa educadora por um de seus estudantes, também vítima de todo o abandono político que padece a educação pública em nosso país, as agressões à professora Marcia Friggi, de forma surpreendente e estarrecedora, continuaram nas redes sociais nos dias seguintes ao da agressão. Quando se esperava solidariedade e clamor público pelo fato ocorrido, extremamente degradante para qualquer projeto de sociedade que valorize a educação, o que se viu após a agressão propriamente física e verbal do estudante contra a professora, dentro de uma unidade escolar, foi a propagação de mensagens de ódio destinadas, pasmem todos, a própria professora, vítima de toda essa atrocidade.

É claro que esse caso de violência escolar não é o primeiro e, infelizmente, não será o último. E não o será porque a violência perpetrada contra essa educadora em Santa Catarina é resultado, sobretudo, do lugar que a sociedade e os governos colocam a educação. O absoluto descaso com as políticas públicas de educação, as condições de trabalho a que estão submetidos os profissionais de educação, sua péssima remuneração, a degradante infraestrutura das escolas, tudo isso consolida esse estado geral de abandono da educação pública em nosso país.

Todo esse quadro se agrava com o atual déficit de democracia por qual passa o Brasil. Ou a Emenda Constitucional nº 95/2016, que congela os gastos com a educação por 20 anos(!!!) não fomentará mais violência no ambiente escolar em função do incremento do abandono a que a educação estará ainda mais sujeita? E o que dizer da Reforma do Ensino Médio (Lei 13.415/2017), que claramente cria distinções de uma escola para os ricos e outra para os pobres? E como ficarão os profissionais de educação com a Reforma Trabalhista, quando passarem a ser contratados de forma terceirizada, ou por meio do trabalho intermitente, com o fim do vínculo empregatício e de todos os seus direitos?

É evidente que todo esse ataque à educação pública no Brasil reflete nesse abandono a que os espaços escolares estão submetidos. E lugar abandonado é local criador e propagador de todo tipo de violência. A professora Marcia Friggi foi muito feliz quando, em entrevista concedida a uma rádio após a agressão, áudio esse que viralizou nas redes sociais, afirmou que a própria sociedade é também responsável por aquela agressão quando, em qualquer movimento grevista e reivindicatório por melhorias nos salários e nas condições de trabalho, os/as professores/as transformam-se imediatamente em vagabundos, na visão da sociedade e da mídia. E para os governos, aos/às educadores/as é sugerido fazer outra coisa que não lecionar.

É diante de tudo isso, de todo esse conjunto de situações que forjam esse caldo cultural de abandono da educação pública em nosso país, que essas agressões não são fatos isolados e, desafortunadamente, tendem a se reproduzir ainda mais. E isso fica mais evidente diante das reações das pessoas frente ao ocorrido. É estarrecedor as mensagens de ódio que essa professora passou a receber em suas redes sociais diante de seu testemunho do ocorrido. Até figuras públicas de outros estados da Federação, de posicionamento fascista, se arvoraram ao direito de justificar as agressões diante do posicionamento político da cidadã Marcia Friggi! Não se pode, então, esperar muito de uma sociedade que dá eco a esse tipo de conduta e fala. É a total inversão de valores: a agredida, vítima de toda a situação, passa a ser a responsável pela agressão a que foi submetida!

Nesse sentido, colocamo-nos de forma absolutamente solidária ao sofrimento vivenciado pela professora Marcia Friggi! Saiba, professora Marcia, que os/as educadores/as brasileiros/as, de todos os lugares desse país, cerram fileiras junto à sua revolta e indignação! Tão importante quanto a punição ao estudante agressor é a retomada dos bons valores pela sociedade, pela luta incessante de todos por uma educação pública, de boa qualidade e socialmente referenciada!! Temos certeza que a agressão por você sofrida doeu na alma de todos que são verdadeiramente comprometidos e guiados pelos valores nobres de justiça social e equidade!! Somo todos Marcia Friggi!! Esses casos só não acontecerão mais quando a educação pública for reconhecida pela sociedade como o maior instrumento de transformação social, de modo que atitudes desse tipo não se perpetuem em nosso ambiente escolar! Só a valorização efetiva da educação pública por parte dos governos garantirá que não tenhamos mais outras vítimas de tamanha brutalidade!

Brasília, 23 de agosto de 2017
Diretoria Executiva da CNTE

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